1# SEES 3.9.14

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR  ELEIO EM RITO SUMRIO
     1#3 ENTREVISTA  BENJAMIN STEINBRUCH  O BRASIL PODE BATER NO MURO
     1#4 MALSON DA NBREGA  PRMIO IG NOBEL DE CONTABILIDADE CRIATIVA
     1#5 LEITOR
     1#6 BLOGOSFERA

1#1 VEJA.COM

REDE DE ESCNDALOS
As eleies de 2014 trazem de volta s urnas polticos acusados de integrar esquemas de desvio de verba pblica e at mesmo os que j passaram uma temporada atrs das grades por corrupo.  o que mostra um levantamento feito com base na Rede de Escndalos do site de VEJA. Quarenta e seis candidatos ao pleito deste ano aparecem na ferramenta  no raro, em mais de um dos 65 escndalos listados. H trs anos a Rede de Escndalos se dedica a perfilar os envolvidos nos episdios mais rumorosos da vida poltica brasileira e acompanhar seus desdobramentos. Entre seus mais de 300 personagens, h polticos que sobrevivem a processos, cassaes, renncias e at prises. Eles contam com a morosidade da Justia, a proteo de seus pares e os servios de bons advogados. E ainda apostam na falta de memria do eleitor. 

AS ORIGENS DO BEM E DO MAL 
Para o psiclogo canadense Paul Bloom, temos um senso moral inato, moldado pela evoluo para garantir nossa sobrevivncia. Em entrevista ao site de VEJA, o professor de cincias cognitivas da Universidade Yale, nos EUA, e autor do livro O que Nos Faz Bons ou Maus, conta como seus experimentos com bebs de at 1 ano revelam que, desde o nascimento, sabemos diferenciar o bem do mal.

DE PAI PARA FILHO
Em qualquer carreira,  comum que (bons) profissionais leguem prestgio a seus herdeiros. Na poltica, contudo, essa lgica causa apreenso. Polticos tm a misso de zelar pelo bem pblico. Quando seus laos familiares se sobrepem ao compromisso com o eleitor, a democracia sai enfraquecida. Reportagem de VEJA mapeia os esforos de diversos caciques para transmitir aos filhos seu capital poltico  um exemplo  o senador Renan Calheiros, empenhado em eleger o filho governador de Alagoas  e mostra os riscos dessas "dinastias" para a sade do regime democrtico.

O FIM DO IDIOMA DE JESUS
O violento avano do grupo radical Estado Islmico (EI) est ceifando no apenas a vida dos iraquianos, mas tambm bens culturais. Um idioma ameaado pela insanidade assassina dos jihadistas  o aramaico. Cerca de 20.000 iraquianos, na maioria cristos, falam o neoaramaico assrio, uma derivao da lngua usada por Jesus Cristo. Reportagem no site de VEJA descreve o processo de extino do aramaico e como a morte de um idioma extermina tambm todo um sistema cultural, com seus padres de pensamento, oralidade, musicalidade e histria.


1#2 CARTA AO LEITOR  ELEIO EM RITO SUMRIO
     Faltam pouco mais de quatro semanas para os brasileiros escolherem quem vai dirigir os destinos do pas pelos prximos quatro anos.  muito pouco tempo para tomar uma deciso de tamanha envergadura e repercusso direta sobre a vida de cada um, de seus filhos e netos. Obrigados a decidir sobre questes bem menos abrangentes, presidentes da Repblica, parlamentares no Congresso, juzes de todas as instncias, empresrios e seus executivos demoram muito mais para chegar a uma concluso. Mas o que se exige dos eleitores brasileiros  que, enquanto trabalham, estudam, educam os filhos, viajam ou descansam nessas escassas quatro prximas semanas, encontrem tempo e disposio mental para escolher quem consideram a pessoa mais preparada para dirigir a nao. Isso no  apenas absurdo, mas embute um risco de, por impulso, cada um dos 142 milhes de eleitores cravar o nome de um candidato na urna apenas por ter tido a impresso de ele ou ela ser uma pessoa de boa ndole, imbuda das melhores e mais legtimas intenes. 
     Infelizmente, no Brasil, o processo eleitoral se tornou um rito sumrio, com uma legislao que engessa o debate de ideias, minimiza o embate pessoal e poltico entre os candidatos. Como o voto  obrigatrio, as pesquisas de opinio, praticamente, refletem o resultado das urnas. Isso elimina a surpresa e faz da eleio uma corrida em que o assunto dominante  apenas quem est na frente  e raramente, ou nunca, por que est na frente. 
     Para ficarmos com apenas um exemplo de modelo que contrasta com o nosso, nos Estados Unidos os potenciais candidatos  Presidncia se fazem conhecer quase dois anos antes do pleito. Eles enfrentam seus opositores dentro do prprio partido nas eleies primarias, uma escaldante maratona de debates, entrevistas e encontros com eleitores. Alm disso, so obrigados a explicitar no apenas o que acham certo fazer se chegarem  Casa Branca, mas de que modo, a que custo faro o que prometem, que interesses vo contrariar. Enquanto isso, a vida pblica e privada dos candidatos  virada do avesso por reprteres decididos a exibir ao pblico tudo o que eles gostariam de manter em segredo. Depois, os vencedores das primrias de cada partido se enfrentam e so, de novo, intensamente sabatinados em debates temticos sobre o sistema de sade, a poltica externa, a economia ou a imigrao. Ao fim desse processo, o eleitor tem a viso completa, em todas as dimenses, da pessoa que pede seu voto. Sabe que tipo de pai ou me, marido ou mulher ela . Viu como trata os amigos e os inimigos, como reage na adversidade ou quando pega de surpresa e como negocia a sada para impasses. A eleio presidencial no Brasil ganharia muito em qualidade se adotssemos aqui um processo semelhante. O eleitor teria chance de escolher melhor. 


1#3 ENTREVISTA  BENJAMIN STEINBRUCH  O BRASIL PODE BATER NO MURO
O presidente da Fiesp, que j classificou de pessimistas os crticos do governo Dilma Rousseff, explica por que decidiu se juntar a eles e diz que s um louco investe no pas.
PEDRO DIAS LEITE

Quando Benjamin Steinbruch assumiu o comando da CSN depois da privatizao, na dcada de 90, a empresa perdia o equivalente a 1 milho de dlares por dia. Hoje, o conglomerado abarca uma das maiores siderrgicas da Amrica Latina, opera portos e ferrovias e  o segundo maior exportador de minrio de ferro no Brasil. Em abril do ano passado, Steinbruch, que  amigo do ministro mais prximo da presidente Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante (Casa Civil), e j teve cadeira garantida em todas as reunies do governo com o setor, escreveu em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo um texto cujo ttulo era X, mau humor!". Nele, dizia que os crticos do governo Dilma s '"enxergam o lado negativo do mundo". Nesta entrevista, o atual presidente da Fiesp explica por que mudou de ideia. 

O senhor disse que "s um louco investe no Brasil". O que esto fazendo ento os sos como o senhor? 
Essa frase repercutiu porque revela aquilo que todos gostariam de falar e ningum diz. O mais louco de todos sou eu. S no ano que vem, a CSN vai investir 6,5 bilhes. Mas, se houvesse boas condies,  claro que estaramos investindo muito mais. O Brasil hoje  um pas caro. Quando se compara o custo do Brasil com o de qualquer outro pas, aqui  pelo menos o dobro. 

O senhor era, at no muito tempo atrs, um empresrio prximo do governo. O que o levou a distanciar-se dele? 
No  questo de ser prximo ou no. Vivemos uma situao em que estamos tentando h bastante tempo uma interlocuo com o governo para alert-lo sobre os problemas de vrios setores. A interlocuo tem sido muito difcil. O governo no est ouvindo os alertas dos empresrios. 

Quais so os principais? 
So vrios. Estamos presos a uma lei trabalhista do tempo de Getlio Vargas.  preciso modernizar esse modelo, torn-lo mais gil, de forma a dar mais flexibilidade ao empregador e ao empregado. Poderia haver perodos de contratao menores, por exemplo, jornadas de trabalho mais flexveis. S com os encargos, o empregado custa o dobro do salrio dele. Hoje, quando voc vai contratar, tem de pensar muito bem. O custo de demitir  igualmente muito alto. Alm disso, h a carga fiscal absurda. 

Mas, todas as vezes que os empresrios reclamam da carga fiscal, o governo rebate com o argumento da desonerao. 
Sim, desoneraram, s que do outro lado h as agncias reguladoras aplicando multas incrveis. No setor de telecomunicaes, no setor eltrico. A Receita tambm penaliza as empresas de maneira brutal. 

Ele d com uma mo para tirar com a outra? 
D com um dedo para tirar com as duas mos, porque o discurso da desonerao  um, mas a prtica da autuao das agncias e da Receita  muito maior. Isso incomoda no s os empresrios que esto aqui no Brasil  cria uma desconfiana muito grande para o mercado investidor l de fora. As agncias tm de regular de modo transparente, de forma a dar tranquilidade s partes. Hoje, ningum tem essa avaliao. 

A medida provisria que taxava os lucros das empresas brasileiras no exterior tambm foi alvo de muitas reclamaes. 
Claro, a medida criaria um passivo enorme para as empresas. Mas o governo em seguida aprovou um Refis para as empresas que seriam afetadas. Ou seja, colocou o bode na sala e os empresrios ficaram apavorados. A, tirou o bode e os empresrios ficaram aliviados. Mas ficou aquele cheiro ruim. Essas situaes desestimulam o investimento. Provocam uma  instabilidade enorme e uma desconfiana maior ainda. Criam incerteza, m vontade. 

 isso que explica a hesitao dos empresrios em investir no pas? 
 essa falta de segurana em relao ao futuro. Qualquer pas tem um plano de investimento de vinte anos: a China, o Japo, a Coreia. O Brasil no tem. Ou pelo menos a gente no conhece. Porque so tantas medidas paliativas tomadas no dia a dia que acabam distorcendo o plano maior. Se voc perguntar hoje qual  a poltica industrial brasileira, eu duvido que algum saiba responder. E estamos vivendo uma desindustrializao absurda. Nos ltimos 25 anos, a participao da indstria de transformao no PIB caiu de 25% para 12,5%. No  o empresrio que est chorando, so os nmeros que dizem isso. Como  que voc pode conviver com uma desindustrializao to violenta num pas continental como o Brasil? A indstria est abandonada. Ela j passou at da UTI, est moribunda. 

Como empresrio, como o senhor avalia os governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Incio Lula da Silva e Dilma Rousseff? 
O governo Fernando Henrique foi liberal, teve a viso de diminuir a participao do Estado na economia. O Estado no tem de ser um bom gestor, tem de ser regulador e cobrador. A estabilidade do Real permitiu que o Brasil crescesse. A veio o governo Lula, que aproveitou essa boa onda e teve uma percepo muito positiva de no ir contra o mercado. E trouxe para o universo do consumo quase 40 milhes de pessoas que estavam completamente fora dele. Junto a isso, tivemos a sorte de ver o crescimento da China. Exportamos minrio de ferro, carne, soja. Durante o governo Lula os mercados interno e externo eram fortes, uma combinao perfeita. Lula soube aproveitar esses dois bons momentos, fez um bom governo. 

E a presidente Dilma? 
A presidente Dilma no encontrou o mesmo ambiente favorvel e adotou uma poltica mais intervencionista. No vejo nela nada que no seja trabalho e vontade de acertar. Mas ela parece no confiar na capacidade da iniciativa privada no Brasil de assumir suas responsabilidades, o que a leva a colocar o Estado para competir onde ele no  necessrio. Por isso, comeou a intervir de maneira muito determinada em alguns setores, distanciando-se da interlocuo com o setor produtivo. O Brasil continua o mesmo, os empresrios continuam os mesmos, as oportunidades continuam as mesmas. Agora, faltam confiana, proximidade, convergncia, determinao. 

Os empresrios esto decepcionados? 
Tm um sentimento de angstia. Todos querem ajudar a presidente Dilma a acertar. Agora, ela tem de se deixar ajudar, tem de ter essa boa vontade. Mas existe esse distanciamento. O Brasil ainda vive um bom momento. Se for comparado com outros pases, est melhor do que muitos. Mas o risco deixou de ser o Brasil no crescer 1%. O risco agora  ele regredir. 

Mantido o atual rumo, que futuro o senhor antev para o Brasil? 
Se no houver mudana, o pas vai bater contra o muro. O desemprego est na porta, o desaquecimento econmico chegou, assim como o aumento da inadimplncia e a falta de crdito. As variveis so todas desfavorveis, e isso em ano eleitoral. Normalmente, em ano eleitoral, o que se faz  soltar um pouco a economia para que o empregado, o empregador e at o governo arrecadador fiquem satisfeitos. O que est havendo hoje  o contrrio. Se j h graves problemas de segurana na situao atual de quase pleno emprego, imagine com o desemprego; se j existe a questo do dficit fiscal com a economia aquecida, imagine com uma recesso. Vale para tudo, educao, sade. Fazemos o alerta: est piorando, est ficando ruim, tem risco de desemprego. E nada acontece. As medidas que foram tomadas, embora positivas, so paliativas. 

Mas os nmeros de emprego ainda esto robustos. Pesquisas recentes mostram que a populao no teme o desemprego. 
J estamos com uma tendncia de diminuio do nmero de empregos. Hoje, o incmodo maior que existe na populao  a inflao, e o governo est jogando muito pesado, porque sabe que perde a eleio se ela sair do controle. Mas as variveis no so as corretas. Cmbio e juros esto causando muito mais malefcios  economia do que benefcios. Quando se segura o aumento de combustvel, o cmbio valorizado, ou quando se elevam demais os juros, voc comea a sair para uma irrealidade que no vai ser, com certeza, a soluo para o pas. 

O que poderia ser feito j para melhorar a situao? 
Mexer no cmbio. Baixar os juros e, consequentemente, desvalorizar o real, o que criaria um clima propcio para a exportao. Alguma porta precisa ser aberta, porque hoje no se tem para onde ir. O cmbio era usado como instrumento de combate  inflao, s que todos os ndices esto  baixando. Acho que 10% de desvalorizao j funcionaria muito bem. 

Em vez de mexer no cmbio, um dos trips da estabilidade econmica, no seria melhor o governo melhorar as condies de competitividade para a indstria brasileira? 
Minha sugesto  que o cmbio flutue. Hoje, ele est sendo mantido artificialmente baixo porque o governo quer segurar a inflao por meio do cmbio. Se deixar flutuar, ele vai se desvalorizar naturalmente. 

O senhor falou em uma soluo "agressiva" para os problemas. Qual seria ela? Fazer as reformas. Seja quem for que v ganhar a eleio, ter de fazer aquilo que  necessrio. Se no houver as reformas imediatamente aps a eleio  poltica, fiscal, trabalhista , o pas no vai sair do lugar. Se voc olha o Oramento, os nmeros so muito robustos. Ns temos dinheiro. A questo  gastar bem esse dinheiro,  investir bem. A mquina pblica no precisa crescer, ela tem de diminuir. Quanto menor for, melhor ser. 

Como o senhor avalia a candidatura de Marina Silva? 
 uma candidata  fortssima. E, se tomar a medida certa neste momento, que  apontar nomes fortes para a Fazenda, para o Ministrio do Desenvolvimento e para o agronegcio, ficar numa posio muito competitiva. Se trouxesse nomes como Roberto Rodrigues (ex-ministro da Agricultura), Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central), pessoas reconhecidas aqui e no exterior, isso a tornaria muito, muito forte. Marina, assim como Eduardo Campos, tem uma viso que contempla o mercado como produtor de riquezas. Tem viso social e ambiental muito incisiva, mas isso no incomoda. O empresariado moderno tem de ter uma preocupao social e ambiental forte tambm, seno no sobrevive. 

O senhor no teme que um governo Marina Silva dificulte a execuo de projetos de infraestrutura ao obliterar a concesso de licenas ambientais? 
No. O pas precisa avanar e, para isso,  imperativo ter uma viso racional das coisas. Ela tem. 

O senhor j avaliou o que seriam os governos Dilma e Marina. E um governo Acio Neves? 
Ele j se mostrou um bom gestor em Minas Gerais, porque sabe delegar. Tem uma equipe boa trabalhando e um papel de coordenador. Tem uma viso ampla de mundo, sabe o que  o Brasil e tem condies de fazer um grande governo. O candidato que vai me encantar mais ser o que tiver a proposta de reformas mais abrangente. A oportunidade de salvar o Brasil est nas nossas mos. 

A revista EXAME escreveu que seu medo no  de falir, errar o alvo ou perder o mercado, mas de que lhe passem a perna.  verdade? 
Acho que ningum gosta de que lhe passem a perna, mas esse no  o meu maior medo, at porque j passei por essa situao vrias vezes. A gente cai e se levanta outra vez. Tenho vontades, no medos. Medo mesmo, s de andar de avio. 


1#4 MALSON DA NBREGA  PRMIO IG NOBEL DE CONTABILIDADE CRIATIVA
     O Prmio Ig Nobel, concedido desde 1991 aos que realizam pesquisas cientficas aparentemente ridculas,  uma stira ao Prmio Nobel levada a srio. A cerimnia de entrega acontece anualmente na Universidade Harvard,  qual comparecem laureados pelo Nobel verdadeiro. O ttulo  uma troa com a palavra inglesa ignoble, ou ignbil (reles, repugnante) em portugus. Quem elege os premiados  a revista Annals of Improbable Research (Anais das Pesquisas Improvveis). 
     So escolhidos estudos que soam absurdos mas podem gerar conhecimentos teis. A lista dos laureados est na internet (www.improbable.com/ig). Por exemplo, o Prmio Ig Nobel da Dinmica dos Fluidos de 2012 foi concedido aos autores dos estudos sobre a dinmica do esguicho de lquidos, cujo objetivo foi entender o que acontece quando uma pessoa carrega uma xcara cheia de caf. Em 2013, o Ig Nobel de Fsica foi atribudo aos cientistas que mostraram ser fisicamente possvel a um indivduo correr sobre a superfcie de uma lagoa, caso esteja na Lua. Os ttulos no guardam necessariamente correspondncia com os do Nobel.  
     No Brasil, algum poderia sugerir a concesso do Prmio Ig Nobel aos governos do PT por sua descoberta de que  possvel extrair dividendos de uma operao que d prejuzo.  o que tem acontecido com a transferncia de recursos do Tesouro para o BNDES, cerca de 400 bilhes de reais nos ltimos cinco anos. O Tesouro capta os recursos no mercado  taxa Selic, atualmente 11% ano, e cobra do banco a taxa de juros de longo prazo (TJLP), hoje 5%. Assim, perde 6% do valor transferido. O prejuzo fica oculto no aumento da dvida pblica. O banco empresta esse dinheiro  TJLP mais alguma coisa, aufere lucros e pode pagar dividendos ao Tesouro.  
     O malabarismo tenta convencer a opinio pblica, inutilmente, de que o governo cumpre as metas de superavit primrio, que  o valor destacado para pagar juros da dvida pblica. Em 2012 e 2013, as operaes com o BNDES renderam dividendos de 12,9 bilhes e 7 bilhes de reais, respectivamente, contribuindo para o cumprimento da meta naqueles anos. Embora em quantia bem menor, o Banco do Brasil e a Caixa Econmica tambm participam do esquema. Em 2013, os dividendos representaram 22,2% do superavit primrio do governo federal. 
     H outras manobras dignas do Ig Nobel. Uma delas soma certos investimentos e os desconta da meta, assim permitindo o seu artificial cumprimento. Suponha que a meta seja de 100 bilhes de reais. Ela pode virar 50 bilhes de reais com as dedues. O procedimento nasceu, de verdade, das crises da dvida externa latino-americana dos anos 1980, quando os pases devedores obtiveram assistncia financeira do FMI, condicionada a ajustes fiscais para evitar a repetio do problema. Ocorria que os cortes de gastos penalizavam os investimentos, menos sujeitos a presses polticas. Isso reduzia o potencial de crescimento, piorando a situao. 
     Para evitar esse problema, o FMI resolveu admitir o desconto de certos investimentos pblicos da meta de superavit primrio. Nesse sentido, negociou um projeto piloto com o Brasil, pelo qual os respectivos projetos eram selecionados de comum acordo. O Banco Mundial acompanhava sua execuo. Agora,  o governo quem escolhe discricionariamente os projetos, que incluem at mesmo residncias privadas financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. 
     O Brasil conquistou respeito e credibilidade por causa das instituies fiscais construdas entre 1986 (fim da "conta movimento" do Banco do Brasil) e 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), que aumentaram a transparncia e a previsibilidade das finanas pblicas federais. Deixamos para trs o atraso, mas ele voltou nos braos da contabilidade criativa do Ministrio da Fazenda. 
     A proposta de conceder o Ig Nobel aos governos do PT no seria aprovada. O prmio homenageia "realizaes que primeiro fazem rir. mas depois fazem pensar", sinalizando que as pesquisas premiadas tm valor, ainda que risveis. Pode-se aprender com elas. A contabilidade criativa no tem serventia. At faz rir, mas  de chorar. Indica a necessidade de restaurar boas prticas de gesto fiscal.

MALSON DA NBREGA  economista


1#5 LEITOR
MARINA SILVA
Se Marina Silva ("Quo sustentvel ela ?", 27 de agosto)  uma miragem ou uma opo poltica de verdade, sinceramente eu no sei, mas, entre manter no poder o PT com sua corrupo sistmica, que nos desrespeita diariamente como cidados, e trazer novamente o PSDB com sua inoperncia histrica de sempre falar mais do que fazer, escolho dar meu voto ao que representa o novo e arriscar. Marina, voc tem meu voto, minha confiana e meu apoio. Como disse o saudoso Eduardo Campos, "no vamos desistir do Brasil"  e votar em voc  no desistir... No nos decepcione, Marina. 
KYSSIH ROBERT MARTINS OLIVEIRA 
Fortaleza, CE 

Prefiro seguir em direo a uma "sedutora" opo que se vislumbra no horizonte, mesmo correndo o risco de ser apenas uma miragem, a continuar no mesmo local e enfrentar esse concreto e inspito governo do PT. 
WILMAR UCHOA DE ARAJO 
Joo Pessoa (PB), via smartphone 

A ascenso de Marina Silva est incomodando muita gente... Ela  popular - apenas "carismtica" - sem ser populista. A candidatura de Marina representa mudanas: de ares; de prticas clientelistas secularmente adotadas; enfim, mudana de paradigma. Seus eleitores so aqueles que foram s ruas protestar em junho de 2013, reforados por aqueles que gostariam de ter ido. 
MARCOS EUSTQUIO SOARES 
Braslia, DF  

O perfil e o pensamento da candidata Marina Silva geram uma grande incgnita sobre sua possvel presena no cargo mximo do Brasil. 
ROMAR RUI CERUTTI 
Realeza, PR  

Com todo o respeito que a Marina merece por seus ideais e virtudes, infelizmente ela  fruto desse desvario que tomou conta de uma significativa parcela da populao brasileira nos ltimos doze anos. Em que pesem suas boas intenes, hoje o Brasil  uma economia complexa demais para ser dirigida por algum que s tenha boa vontade. O Brasil est precisando de um lder que tenha viso de futuro, e no de passado. Algum que olhe para o que est acontecendo hoje no mundo e v mudar o futuro imediato. Algum que consiga embarcar o Brasil nessa trilha da modernidade. Infelizmente, Marina no  essa pessoa. Com Marina presidente, vamos continuar por mais quatro anos a ser apenas o pas do futuro. 
HLIO CARMO FACCIN 
Itapecerica da Serra, SP 

Uma pessoa de origem humilde, que se fez por seu esforo e perseverana. Parece ser uma mulher de valor, correta, de carter, ao contrrio de seus colegas petistas de longa data.  um bom perfil de parlamentar, para lutar por algumas causas importantes. Agora, como presidente do Brasil,  uma piada de extremo mau gosto. 
RICARDO REZENDE 
Braslia (DF), via tablet 

Como bem salientou o jornalista Andr Petry na reportagem "No labirinto sonhtico", Marina Silva joga com o carisma e deixa tudo o mais com quase nenhum esclarecimento sobre seu plano de governo. Marina sabe muito bem o que quer. S o fato de defender a aprovao do decreto n 8243, que cria os tais "conselhos populares", j revela o tremendo atraso poltico-governamental em que vive. Se eleita, ela engessaria e bloquearia as fronteiras do agronegcio, escancarando as portas para a anarquia dos sem-terra. A candidata representa o atraso e o total descompromisso com um mundo, hoje, globalizado. 
PAULO R. COLSIO 
Maring, PR 

ARMNIO FRAGA
A entrevista com o economista Armnio Fraga nas pginas amarelas de VEJA ("Confiana e competio", 27 de agosto) mostra uma clareza de ideias, transparncia e confiana que sero fundamentais para enfrentar a situao grave que se avizinha ao fim deste governo. O fato de ele assumir publicamente que ser o prximo ministro da Fazenda em caso de vitria de seu candidato, Acio Neves, alm de ser um privilgio para nosso pas, poder criar um crculo virtuoso de retomada de investimentos e gerao de empregos que sero decisivos nos prximos anos. Oxal o Brasil tenha essa sorte. 
EMERSON KAPAZ 
So Paulo, SP 

Arminio Fraga tratou questes complexas para o Brasil de forma pouco profunda. Acredito que, para "correr uma maratona", conforme ele menciona, precisamos reaprender a andar. O pas parou faz tempo. 
ASTOR JOS PINHEIRO CIRNE 
Salvador (BA), via tablet 

MDICOS CUBANOS 
No h quem tire da minha cabea que os envios bilionrios a Cuba, atravs do programa Mais Mdicos e da construo do Porto de Mariel, cujos detalhes sero mantidos em segredo de Estado por anos, so a mais nova e eficaz forma de desviar nossos recursos para contas privadas de lderes petistas ("Uma doao bilionria", 27 de agosto). A grana vai para o amigo Fidel Castro, que, provavelmente, envia boa parte dela para locais determinados pelo rei e pela rainha. Com essa nova maneira de desviar recursos, nem h a necessidade de produzir malfeitos locais, e fica muito mais bem encoberto o possvel crime quase perfeito. 
CLUDIO TEIXEIRA 
Barueri, SP 

ROGER ABDELMASSIH 
Ao longo de sua carreira, o ex-mdico Roger Abdelmassih adotou procedimentos para a reproduo assistida que eram frontalmente contra o Cdigo de tica Mdica. E, como se no bastasse, os abusos sexuais o tornaram o mdico-monstro. Fica a pergunta: o que leva um mdico a cometer essas atrocidades ("Acabou a 'vida buena'", 27 de agosto)? 
RUVIN BER JOS SINGAL 
So Paulo, SP 

Impressionante o conceito de pessoa do maior carter que Larissa Sacco, a esposa de Roger Abdelmassih, tem desse aproveitador de dezenas de mulheres. E ela ainda afirma que faria tudo de novo, por ele... 
GILDO PASSOS Recife, PE 

LYA LUFT 
Aproveito o frtil texto "O ciclo da vida" (27 de agosto), de Lya Luft, para reiterar a importncia de incluir a morte como componente inexorvel da vida e, por isso, to merecedora de ateno e entendimento quanto qualquer uma das fases que a precedem. Nosso avano do conhecimento foi muito mais atento ao perodo inicial da vida, mas,  medida que nos interessamos pela sequncia do desenvolvimento humano, que caracteriza o seu envelhecimento, devemos incluir nessa compreenso tambm o fenmeno morte, para que seja tratado com o mesmo interesse e respeito que destinamos s outras fases desse processo. Assim o fizemos com a concepo e com o nascimento, por isso conhecemos to bem sua delicada complexidade e, consequentemente, os valorizamos tanto. No novo currculo da FMUSP teremos uma disciplina denominada ciclo da vida, cujo objetivo ser transitar pela intrincada e interativa sequncia de eventos que intermedeiam e incluem a concepo e a morte. Dessa forma, esperamos poder favorecer esse difcil aprendizado, tornando-nos simultaneamente bons alunos e melhores profissionais. 
WILSON JACOB-FILHO 
Professor titular de geriatria da FMUSP 
Diretor do Servio de Geriatria do Hospital das Clinicas 
So Pauto, SP 

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o nmero da cdula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redao, VEJA - Caixa Postal 11079 - CEP 05422-970 - So Paulo - SP: Fax: (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at 3 quarta-feira de cada semana.


1#6 BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.be

QUANTO DRAMA!
PATRCIA VILLALBA
NOVELA 
Noveleiros que acompanham Imprio se dividem entre os que acham que o ator Paulo Betti exagera na composio estereotipada do fofoqueiro To Pereira e os que sabem que existem gays, digamos, to performticos quanto ele. A discusso reflete uma dvida moderna cruel: dar ou no dar pinta? www.veja.com/quantodrama 

COLUNA 
LEONEL KAZ 
PRESERVAO 
Tenho denunciado as insanidades das autoridades pblicas brasileiras em relao  preservao da memria brasileira. O Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piau, com suas pinturas rupestres, considerado patrimnio da humanidade pela Unesco, est  beira da falncia pela incria administrativa do Instituto Chico Mendes  encarregado de proteg-lo. www.veja.com/leonelkaz  

DE PARIS 
ANTONIO RIBEIRO 
HOLLANDE
Pode ser que o presidente Franois Hollande aproveite a crise na Frana e, finalmente, encontre alguma direo. Pode ser que ele promova reformas necessrias. Isso em um pas que no conseguiu reformar nem seu Partido Socialista, como fizeram seus equivalentes na Espanha, Inglaterra, Alemanha. Acredite se quiser, www.veja.com/deparis 

NOVA TEMPORADA
BOJACK HORSEMAN
O site de streaming Netflix encomendou a produo de doze episdios para a segunda temporada de BoJack Horseman. Criada por Bob-Waksberg, a srie acompanha a vida de BoJack (voz de Will Arnett, de Arrested Development), um cavalo que foi astro de  uma sitcom produzida na dcada de 90, chamada Horsin Around. Para superar seus relacionamentos fracassados, a baixa autoestima e o alcoolismo, ele luta para retomar sua carreira, com a ajuda do humano Todd (voz de Aaron Paul, de Breaking Bad).  www.veja.com/temporada 

VEJA MEUS LIVROS
FILO ADOLESCENTE
Aos 33 anos, a americana Kiera Cass, autora da trilogia A Seleo, faz parte do clube de escritores que encontraram um filo e tanto: a distopia adolescente. No Brasil para participar da 23 Bienal do Livro de So Paulo, Kiera anunciou novidades para os fs da saga: os contos "A rainha", que sair em formato digital em dezembro, e "The favorite", j finalizado, mas ainda sem previso de lanamento. Alm disso, vm mais episdios da srie pela frente: A Seleo deixar de ser uma trilogia e vai ganhar mais dois livros, The Heir, previsto para maio de 2015 nos Estados Unidos, e um quinto romance ainda sem ttulo, para 2016. Todos sero editados no Brasil pela Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras. www.veja.com/meuslivros

CIDADES SEM FRONTEIRAS
O TEMPO E OS IMVEIS
Diz o senso comum que o tempo  mais generoso com os homens do que com as mulheres. Se neles os cabelos grisalhos e as rugas no rosto so considerados sinais de charme, nelas so encarados como cruis sinais do tempo, combatidos com afinco com cremes antirrugas, tinturas e malhao. Com terrenos e imveis  mais ou menos a mesma coisa. Para os terrenos, a passagem dos anos  benfica, pois s faz aumentar seu valor de mercado. J com os imveis ocorre o contrrio: a deteriorao gradual leva a uma desvalorizao ao longo do tempo. Segundo Martim Smolka, pesquisador snior do Lincoln Institute of Land Policy e diretor do Programa para Amrica Latina e Caribe, o clculo  o seguinte: a cada ano, o preo da edificao cai em torno de 2%, e o do terreno sobe cerca de 3%. Claro que isso depende da localidade em questo.
www.veja.com/cidadessemfronteiras 

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


